
Após o banho, olho o relógio e vejo que o banho demorou bem mais que dez minutos, foram mais de meia hora, que se passaram como se fossem três minutos. Agora as preocupações aumentam se vestir, arrumar o cabelo, escovar os dentes, colocar as lentes, e não chegar atrasado. O coração dispara numa batida rápida fazendo a adrenalina pelo corpo circular, na correria me visto sem perceber muito se está combinando o casaco com a calça, arrumo cabelo a moda cafuné, escovo os dentes e parto para colocar minhas lentes. Cerimônia terminada!
Saio correndo desço o morro onde moro e subo pela para chegar à estrada aonde terei que pegar o ônibus, ao chegar à parada sou obrigado a esperar; poucas coisas nos fazem esperar, uma delas é o ônibus. Ao chegar tento ser educado dando preferência para os outros entrarem no ônibus, sendo ultimo a entrar me arrependo, o ônibus acabou de lotar os bancos; na viajem de arranca e para me lembro da infância onde se tivesse que ir num lugar ‘o pai’ levaria; á estava me esquecendo outra coisa que nos faz esperar é o transito. E nessa viajem que provavelmente demoraria dez minutos de caro, lá se vão trinta minutos, e senão me falhe a minha matemática, já são quarenta minutos a mais.
Chego ao trabalho, papeladas para por em ordem, telefonemas a fazer, problemas a resolver, mas nisso já estou quase um “expert”, são tantos todos os dias. Muitas vezes minha mente sofre pequenos blecautes, fazendo-me viajar nos tempos que não tinha que enfrentar as dificuldades da vida de adulto.
São dezoito horas e estou novamente no meu ponto de espera, o ônibus lotado vem no sentido centro-bairro, quando embarco percebo que está mais lotado que de costume. O ônibus fez a curva e na próxima parada para mim é o final da linha, desço do ônibus, e subir o morro novamente, ao subir com as pernas cansadas, mais pensamentos invadem a mente sem sequer pedir licença, mas enfim mais um dia está terminando, entro em casa, sinto-me protegido como uma criança nos braços de seu pai.
Hora de dormir, já são quase uma hora do dia seguinte, ao deitar na cama repasso o dia em pequenos flashes, torcendo para que as cenas que hoje se passaram não se repitam, e torcendo que os flashes da minha infância retornem.
No final só restam perguntas, será que isso um dia vai mudar? Vou encontrar alívio ao acordar? E a pior das perguntas de um homem invade a minha mente: será que poderei criança novamente me tornar!
Aff! Cansado desse frenesi!
Anderson Menger
andermenger@ig.com.br



