terça-feira, 7 de junho de 2011

Sou obrigado a escrever [Aprendiz de escritor #2]


Tudo que se faz por obrigação dizem ser dolorido e difícil. A obrigação não dá uma segunda alternativa, não deixa para depois; ao contrario da necessidade, que você pode sentir agora, mas pode escolher não satisfazê-la, a obrigação leva você até um nível de sufocamento que impede você de tomar outra decisão.

É assim, todos os dias quando acordo pensando em não pensar em nada. Sabe aquele dia que você quer deixar a ociosidade tomar conta de você, e simplesmente existir? Todo dia é um dia igual a esse. Mas o incrível é que um minuto após esse sentimento, o peso da obrigação cai sempre e novamente sobre mim.

Após o banho, na minha arrumação matinal fico a pensar e tentando trazer a mente algo que poderia escrever, mas nada vem, a não ser um grande espaço em branco. Penso "vou deixar para mais tarde"; faço minha oração e sigo o caminho do trabalho. Na minha via crucis matutina, na realidade trinta minutos de caminha á um passo acelerado, minha mente volta se a lembrar da minha obrigação, escrever, então tento formular algo para escrever, tanto trazer criatividade a minha mente, mas nada parece se conectar.

As letras não se conectam com as outras para formar as palavras, muito menos as palavras se juntam com as outras para se tronarem orações; oração deve ser isso que devo fazer. Então peço ajuda aos céus, mas a resposta não aparece, apenas vejo e penso as mesmas coisas de sempre.

Quando percebo é o fim de minha caminhada, o computador a minha frente abro o Word para tentar escrever e novamente nada. Então tento ler alguma noticia, ouvir um comentário, algo que me inspire a escrever, mas nada aparece.

Procuro então meu celular, para me distrair, penso em ligar para uns amigos, e após três ligações que duraram ao total uns trinta minutos, resolvo voltar ao computador e ver se sai alguma coisa. O nível de impaciência está cada minuto mais alto, não sabendo o que escrever, por me sentir obrigado, coloco somente o titulo do texto.
Sou obrigado a escrever.

E a crônica que falo sobre meu dilema para escrever se torna algo que você acabou de ler.

Anderson Menger
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[Aprendiz de Escritor] Nessa coluna, escrevo sobre a minha luta para escrever, aqui você acompanhará: pensamentos, frustrações, dilemas, exercícios e outras diversas coisas sobre a minha 'arte' de tentar escrever.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Aprendiz de Escritor #1



Todo menino hoje tem e na minha época tinha o sonho de ser jogador de futebol, e isso não foi diferente de mim, pegava a bola todos os dias e ela se tornava a minha companheira por no mínimo umas duas horas, mas por mais que treinasse e me exercitasse as qualidades de um bom futebol nunca fluíam.

Pensei que devia me esforçar mais, treinar mais; até que um dia um pensamento me assolou, e “se eu não tivesse o DNA de um jogador”, o meu mundo veio abaixo pensei que era o meu fim, mas graças aos livros era apenas o começo.

Na minha casa não havia tv, por decisão dos meus pais, o que me tornou um amante de literatura, de todos os tipos, desde geopolítica até romances consagrados. Lia de tudo, a curiosidade para saber o que aconteceria me fazia devorar um livro por dia, e mesmo quando deitava na cama, só conseguia dormir após o fim; por intermédio desses livros, me assolou um desejo que sentia já ter sido meu, ser um escritor.

Então comecei a tentar a escrever, e pelo visto é o que faço até hoje, mas as palavras de apoio não foram tão boas assim, minha gramática era horrível, continua um pouco ruim, provavelmente você já encontrou uns dez erros até agora e não se preocupe ainda tem mais, então desmotivado por mais essa falta de talento, me arrisquei a ser um mero leitor, pensando que um dia poderia receber o talento de um escritor ao ler um livro.

Mas o sonho não se afogou no mar dos sem talentos, lá dentro ele continuou vivo, diferentemente do sonho de ser um jogador de futebol, ele se abraçou com outros sonhos sobreviventes e agora está querendo pisar em terra firme.

O sonho sobrevivente de ser um escritor caminha de volta para se tornar autor de sua própria história, nesses dias o desejo de escrever tem me levado a pensar que escrever é mais que um talento é uma necessidade de expressão do meu ‘eu’, da minha alma. Então escreverei, não por querer ser famoso com que escrevo, mas sim para o sossego do meu coração.

Hoje escrevo por querer ser escritor, a começar pela minha história, por querer cultivar uma arte. Compreendi que para cultivar uma arte não precisa ter talento, sim ter disposição, porque se necessitasse de talento, nossos campinhos de futebol estariam vazios.

Eu sou um aprendiz de escritor, que preferi as palavras a uma bola, preferi ariscar a me descrever, do que nunca escrever, que corre atrás das palavras para que elas o alcancem, a tentar juntar palavras para que se transformem em textos, que não precisam ser tão belos, mas apenas descrever o que se passa nesse aprendiz de escritor.


Anderson Menger

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Aprendiz de escritor - é uma serie de crônicas, referentes a minha tentativa de escrever.